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Como ler um esquema unifilar

Um esquema unifilar desenha o quadro elétrico com uma só linha por circuito. Lê-se de cima para baixo: a entrada de energia, o corte geral, os diferenciais, o disjuntor de cada circuito e, no fim, o que cada circuito alimenta, com o calibre da proteção e a secção do cabo.

Afazeres Curiosos · publicado a 30 de outubro de 2026

Os símbolos que vai encontrar

Os esquemas elétricos usam símbolos gráficos normalizados pela IEC 60617. Os desenhos deste guia são simplificados para ajudar a ler; num projeto real aparecem com mais pormenor.

Legenda dos símbolos usados nos esquemaskWhContadormede a energia consumidaInterruptor geralcorta toda a instalaçãoIΔDiferencialdesliga se houver fuga à terra(protege pessoas)Disjuntorprotege o cabo contrasobrecarga e curto-circuitoFusívelprotege por fusão de umelementoTerraligação de proteção à terraPonto de luzcandeeiro ou lumináriaTomadatomada de uso geralContacto NAnormalmente aberto: fechaquando atuaContacto NFnormalmente fechado: abrequando atuaBotão de arranqueNA de impulso (marcha)Botão de paragemNF de impulso (paragem)Bobina do contactorquando recebe tensão, fecha oscontactos do contactorRelé térmicodesliga o motor em sobrecargaprolongadaM3~Motor trifásicobomba, ventilador oucompressor
Figura 1. Os símbolos mais comuns num quadro elétrico e num esquema de comando.

Como ler o esquema de um quadro, passo a passo

Esquema unifilar do quadro elétrico de uma moradiaRedekWhContadorInterruptor geral 40 AIΔDiferencial 1 · 40 A · 30 mA10 A1,5 mm²C1Iluminação10 A1,5 mm²C2Iluminação16 A2,5 mm²C3Tomadas salae quartos16 A2,5 mm²C4Tomadas cozinhaIΔDiferencial 2 · 40 A · 30 mA16 A2,5 mm²C5Máquina delavar16 A2,5 mm²C6Casa de banho32 A6 mm²C7Placa e forno16 A2,5 mm²C8Bomba decalor AQSTerra(PE emtodos oscircuitos)Exemplo didático de uma moradia: os calibres e as secções reais saem do projeto elétrico de cada instalação.
Figura 2. Esquema unifilar didático do quadro de uma moradia, com dois diferenciais e oito circuitos.
  1. Entrada. No topo está a chegada da rede, o contador e o interruptor geral, que corta a instalação toda.
  2. Barramento. A linha grossa horizontal distribui a energia pelos aparelhos de proteção abaixo dela.
  3. Diferenciais. Cada diferencial protege um grupo de circuitos contra fugas de corrente à terra, que podem passar por uma pessoa. Leia o calibre (40 A), a sensibilidade (30 mA, a usada para proteger pessoas) e o tipo (AC, A, F ou B), que diz a que formas de corrente de fuga reage.
  4. Disjuntores. Há um por circuito. Protegem o cabo contra sobrecargas e curto-circuitos. Leia o calibre em amperes, a curva de disparo (B, C ou D), o poder de corte em kA e o número de polos. «C16» quer dizer curva C, 16 A.
  5. Cabos. Ao lado de cada saída vem a secção em mm² e, muitas vezes, a designação do cabo. Por exemplo, «3G2,5» quer dizer três condutores de 2,5 mm², um deles verde-amarelo, o de terra.
  6. Circuitos. No fundo, cada saída tem um código (C1, C2...) e o que alimenta: iluminação, tomadas, máquinas.

Uma só linha pode representar vários condutores (fase, neutro e terra). Quando o desenhador quer mostrar quantos são, marca traços oblíquos sobre a linha, um por condutor, ou escreve o número ao lado.

A regra que liga tudo: o disjuntor protege o cabo. O calibre do disjuntor tem de ser maior do que a corrente que o circuito pede e não pode passar a corrente que o cabo aguenta.

Valores habituais numa habitação

CircuitoSecção do caboDisjuntor
Iluminação1,5 mm²10 A
Tomadas de uso geral2,5 mm²16 A
Placa e forno4 ou 6 mm²25 ou 32 A, conforme a potência

São valores de referência nas instalações em Portugal, regidas pelas Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT, Portaria n.º 949-A/2006). O projeto confirma cada circuito pela potência, pelo comprimento e pela forma como o cabo é instalado.

Exemplos de iluminação

No esquema unifilar, a iluminação aparece só como um circuito com o seu disjuntor. A forma como cada luz é comandada vê-se nas plantas e nos esquemas de ligações. São três as montagens mais comuns:

Montagens de iluminação: interruptor simples, comutação de escada e inversora) Interruptor simplesUm só ponto de comando.O interruptor corta sempre a fase.FNb) Comutação de escadaDois pontos de comando.Qualquer comutador acende ou apaga.FNc) Com inversorTrês ou mais pontos: um inversorpor cada ponto a mais, entre os comutadores.FNinterruptorponto de luzcomutador 1comutador 2viajantescomutador 1inversorcomutador 2posição 1: direitoposição 2: cruzado⇄cor: caminho da corrente · tracejado: a outra posiçãocor: caminho da corrente · tracejado: a outra posiçãocor: caminho da corrente · tracejado: a outra posição
Figura 3. Três montagens de iluminação. F é a fase e N o neutro; a cor marca o caminho da corrente com a luz acesa e o tracejado a outra posição de cada aparelho.
  • Interruptor simples: um ponto de comando. O interruptor fica sempre na fase, para que a luz apagada fique sem tensão.
  • Comutação de escada: dois comutadores ligados entre si por dois condutores, os viajantes. Cada comutador troca o caminho da corrente, por isso qualquer um acende ou apaga a luz. No desenho, os dois estão virados para cima: a corrente passa pelo viajante de cima e a luz acende. Se qualquer um deles mudar para baixo, deixam de estar no mesmo viajante e a luz apaga. É a montagem das escadas e dos corredores.
  • Com inversor: para três ou mais pontos, põe-se um inversor entre os dois comutadores por cada ponto a mais. O inversor tem duas posições: direito, em que cada viajante segue em frente, e cruzado, em que os dois viajantes trocam de lugar. No desenho, a corrente sai do comutador 1 pelo viajante de cima, atravessa o inversor a direito e chega ao comutador 2, que está virado para cima: a luz acende. Se alguém carregar no inversor, ele passa a cruzado e a corrente segue para o viajante de baixo; como o comutador 2 está virado para cima, o circuito fica aberto e a luz apaga. Qualquer dos três aparelhos, ao mudar de posição, troca o viajante por onde passa a corrente, e por isso cada um deles acende ou apaga a luz.

Comando e potência: o arranque direto de um motor

Nas instalações técnicas, como bombas, ventiladores e compressores de AVAC, o esquema separa-se em dois. O circuito de potência leva a energia ao motor. O circuito de comando decide quando o motor trabalha e usa muito pouca potência. O arranque direto é o exemplo clássico.

Arranque direto de um motor: circuito de potência e circuito de comandoCircuito de potênciaL1L2L3Q1disjuntor magnéticoKM1contactorF2relé térmicoM3~motorLeva a energia ao motor: correntes altas,cabos de maior secção.Circuito de comandoL (230 V)F1 fusível de comandoF2 (95-96) relé térmicoS2 paragemS1 marchaKM1 (13-14)auto-retençãoKM1 bobina (A1-A2)NLiga e desliga o contactor com pouca potência.S1 alimenta a bobina; o 13-14 mantém-na ligada;S2 ou o relé térmico abrem o circuito e o motor pára.
Figura 4. Arranque direto de um motor trifásico: à esquerda a potência, à direita o comando.

O que cada peça faz

  • Q1, disjuntor magnético: protege contra curto-circuitos.
  • KM1, contactor: é o interruptor comandado à distância. Os contactos principais (1-2, 3-4 e 5-6) ligam o motor quando a bobina A1-A2 recebe tensão.
  • F2, relé térmico: mede a corrente do motor e, em sobrecarga prolongada, abre o seu contacto NF 95-96 no comando. Regula-se para a corrente nominal do motor. Não protege contra curto-circuitos; isso é do Q1.
  • S1, botão de marcha (NA) e S2, botão de paragem (NF).
  • KM1 13-14: contacto auxiliar NA do contactor, em paralelo com S1, que faz a auto-retenção.

A sequência

  1. Com Q1 ligado, carrega-se em S1. A bobina de KM1 recebe tensão e o contactor fecha: o motor arranca.
  2. Ao mesmo tempo fecha o contacto 13-14. Quando se larga S1, a corrente passa por 13-14 e a bobina continua alimentada.
  3. Carregar em S2 abre o circuito de comando: a bobina perde tensão, o contactor abre e o motor pára.
  4. Se o motor ficar em sobrecarga, F2 abre 95-96 e acontece o mesmo. Para voltar a arrancar é preciso carregar outra vez em S1.

Os números dos terminais são normalizados. Nos contactos auxiliares, o último algarismo 3-4 indica um contacto NA e 1-2 um contacto NF; 95-96 e 97-98 são os contactos NF e NA do relé térmico.

O que vale a pena verificar num quadro

  • Disjuntores com calibre acima do que o cabo do circuito aguenta.
  • Circuitos sem proteção diferencial.
  • Um único diferencial para a casa toda: uma fuga num aparelho desliga tudo.
  • Circuitos sem identificação no quadro, ou um esquema que já não corresponde ao que está montado.

Este guia ensina a ler esquemas, não a mexer em quadros. Qualquer intervenção numa instalação elétrica deve ser feita por um eletricista qualificado, com a instalação desligada.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre esquema unifilar e multifilar?

O unifilar desenha cada circuito com uma só linha e serve para ver a organização do quadro. O multifilar desenha cada condutor em separado e serve para fazer as ligações.

Para que serve o diferencial, se já há disjuntores?

O disjuntor protege o cabo contra sobrecargas e curto-circuitos. O diferencial deteta a corrente que foge para a terra, que pode passar por uma pessoa, e desliga o circuito.

O que quer dizer C16 num disjuntor?

Curva de disparo C e calibre de 16 A. A curva indica com que rapidez o disjuntor reage a picos de corrente.

Quem faz o esquema unifilar?

Faz parte do projeto da instalação elétrica, preparado por um técnico habilitado. A Afazeres Curiosos prepara projetos de eletricidade para moradias e outros edifícios.

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